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Por que deixamos as finanças num segundo plano, ou mesmo sem plano algum? 4 dicas para virar o jogo

"Somos PhDs em bagunçar nossas vidas financeiras." Dan Ariely


Sim, meus leitores. Falar de finanças pessoais no Brasil não é fácil. Há vieses comportamentais, preconceitos com o tema, desculpas, justificativas, medos quanto ao futuro e por aí vai.

Qualquer pessoa pode até estar dentro destes exemplos citados, mas a sua mente pensa em dinheiro a maior parte do tempo, pois este tema nos acompanha na maioria das nossas decisões de vida como, por exemplo, neste final de ano. Viajar ou ficar em casa? Comprar muitos presentes ou focar apenas em alguns? Quanto irei gastar neste final de ano? Tenho dinheiro para as coisas que quero comprar ou usarei cartões de crédito/empréstimos? Vou gastar com os outros ou gastarei só comigo? Compro uma casa ou um carro? Mais econômico morar sozinho ou com os pais? Quanto irei investir para estudar na faculdade?, etc.

Conforme um estudo da FEBRABAN, juntamente com o Banco Central, as finanças causam estresse em torno de quase 60% das pessoas, além dos medos com o desemprego e a violência. E para ajudar ainda mais, de forma negativa, este cenário, a parcela de famílias endividadas está em 78,9%.

Vamos, então, trabalhar com cinco dicas para você tentar virar o jogo, mesmo diante de um cenário de incertezas.

1) Se o cartão de crédito está lhe fazendo mal, livre-se dele(s) pelo menos por uns três meses



Você deve estar em dúvida: realmente faz diferença eu pagar à vista, ou usar um cartão de crédito para uma simples compra? A resposta é SIM. Estudos divulgados em finanças comportamentais indicam que a disposição de uma pessoa é de gastar bem mais quando está de posse de um cartão de crédito, do que se tivesse que pagar no ato.

Dica: Como nestas épocas festivas temos uma propensão maior a consumir que a poupar, o ideal é você ir às compras apenas com o cartão de débito ou mesmo aproveitar os descontos para pagamento com PIX, ou boleto. Lembre de que um bom presente está no Valor do que você está dando, e não em seu preço.


2) Cuidado com as "ofertas imperdíveis" que irão lhe arrancar dinheiro, daquilo que foi dado como gratuito. Tenha a capacidade de dizer NÃO



É muito usual você receber e-mails ou mesmo anúncios, com um chamativo de "baixe aqui o meu e-book", "saiba mais", "arrasta para cima", etc. e, depois, vem a surpresa. Você recebe uma oferta para assinar um produto ou serviço e percebe que há um "pacote" bem melhor de serviços se você optar por uma compra paga. Este método vai desde uma simples balinha que você ganha de amostra, para comprar um pacote de balas no semáforo, até a compra de um carro ou imóvel. Habitualmente recebo de alguns corretores nas ruas ou nas lojas, um panfleto de um apartamento onde, se você visitar o stand de vendas, irá "ganhar" uma churrasqueira, um queijo e vinhos, um mimo qualquer "gratuitamente". Por que estes tipos de ações dão tão certo, na maioria das vezes? Por que uma parte das pessoas fica constrangida em dizer não, diante de uma abordagem tão bem feita e tão bem cuidada. Parece que as pessoas ficam com uma sensação de dívida para com aquele lugar ou aquela pessoa.

Dica: Tenha a capacidade de dizer NÃO. Se não é teu momento financeiro, ou mesmo se for, seja seletivo nas suas escolhas e decisões com o dinheiro. Seu trabalho exaustivo de um mês ou anos, pode ir por água abaixo diante de uma decisão ruim de consumo. Quando você disser um NÃO bem dado, para algo que a sua mente ou o desejo que foi despertado em você queria dizer SIM, irá perceber a autoconfiança que isso vai lhe dar.

3) Para caso você tenha algum tipo de Fé, vamos deixar uma regra clara aqui: DEUS não é um balcão de trocas. Não gaste com apostas



Agora é uma época do ano em que as pessoas irão procurar as lotéricas para jogar a tão sonhada "Mega da virada" e, nisso, começam até a falar dos planos sobre o que irão fazer com a bolada: ajudar toda a minha família e amigos, dar uma casa própria para todos os irmãos, doar um bom dinheiro para entidades assistenciais, etc. Em finanças comportamentais aprendemos que as pessoas querem, de alguma forma, sensibilizar a Deus sobre os seus desejos de ajudar, para que algo divino as premiem. Por que muitos pedintes no metrô, totalmente desconhecidos e sem nenhuma forma de serem pesquisados nas suas reais histórias (ou estórias) chegam com uma criança, contam uma tragédia pessoal e conseguem várias doações em minutos, enquanto um trabalhador precisaria de hora(s) para ganhar aquele mesmo dinheiro? Várias pessoas acreditam que doando dinheiro a um estranho qualquer, Deus esteja vendo essa atitude bondosa dela e lhe recompensará. Sou contra doações? Pelo contrário, acredito e muito que precisamos ajudar o próximo, contanto que saibamos quem é o próximo. Só não acredito que precisamos ser recompensados por Deus em fazer isso. A doação deve ser por amor e não por troca, mas deixemos este assunto para um outro momento.

Dica: Se o dinheiro está curto, ficará ainda mais curto se você o gastar em títulos de capitalização, casas de apostas (a febre atual), jogos de loteria ou mesmo jogos de azar. A banca sempre irá vencer no longo prazo, acredite. Boa parte dos Bancos grandes e digitais aceitam investimentos a partir de R$ 1. Se você perceber que está tentado a gastar dinheiro em algumas destas situações citadas, pense em abrir a conta em um Banco apenas para começar a investir. Com que dinheiro? Com este que você estava disposto a jogar fora. Que tal?

4) Toda decisão financeira envolve um custo de oportunidade. Procure escolher a melhor decisão e com menor risco entre ambas



O dinheiro é um bem comum. Ele nos permite investir, pagar nossas contas, comprar bens e realizar sonhos. A única observação ruim é que ele é limitado ao que você ganha ou ao quanto sobra para realizar esses objetivos. Para isso, você precisa ter a capacidade de escolher.

Não precisamos de um amplo estudo e análise de um caso, pesquisar inúmeras fontes, para uma decisão sobre o que fazer com o nosso dinheiro. Só precisamos de um tempo, uma pausa. Então, o que é um custo de oportunidade? A ARIELY (2017) comenta que o custo de oportunidade é algo que você renuncia para obter outro melhor. Ou seja, Custo de Oportunidade representa ALTERNATIVA.

Dica: Aproveite esta época do ano e estabeleça alguns objetivos de curto, médio e longo prazos que você deseja alcançar. Verifique quais ações que você precisa tomar, para que estes objetivos sejam alcançados. Depois, confronte-se. Como o dinheiro é um recurso finito, o que você está disposto a renunciar para que este objetivo maior seja alcançado? Exemplo: Se você quer fazer uma Faculdade, que lhe demandará tempo e dinheiro, o que você estará renunciando para que este sonho se realize? Vamos agora falar de INVESTIR. O ato de investir o seu dinheiro mostra ao seu psicológico e comportamento, que você está renunciando a algum consumo presente para obter algo bem mais amplo e melhor no futuro.

Bora começar a investir?


Fontes:

ARIELY, Dan; KREISLER, Jeff. A Psicologia do Dinheiro: descubra como as emoções influenciam nossas escolha financeiras. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. 272 p.

AGÊNCIA BRASIL. Endividamento atinge 78,9% das famílias brasileiras, revela pesquisa. Vitor Abdala. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2022-12/endividamento-atinge-789-das-familias-brasileiras-revela-pesquisa. Acesso em: 16 dez. 2022.



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Dicas maravilhosas e que trazem resultados imediatos!


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